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Os principais festivais culturais e religiosos da Bolívia

A riqueza cultural da Bolívia se expressa com força em suas festividades e celebrações, muitas das quais são reconhecidas internacionalmente por seu valor patrimonial. Entre as mais emblemáticas destaca-se o Carnaval de Oruro, declarado Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Esta celebração combina devoção religiosa e cosmovisão andina em honra à Virgem do Socavón, através de danças como a Diablada, Morenada e Caporales. Mais de 50 irmandades participam de uma entrada folclórica multitudinária onde música, trajes bordados e simbolismo ritual convertem a cidade em um palco vibrante de identidade cultural.

Em La Paz, a Festividade do Senhor Jesus do Gran Poder é uma das manifestações urbanas mais imponentes dos Andes, com milhares de dançarinos e músicos percorrendo a cidade em uma demonstração de fé, identidade e prestígio social. No mesmo contexto cultural paceño destaca-se também a Feira de Alasitas, celebração tradicional onde se adquirem miniaturas que simbolizam desejos de prosperidade, abençoadas em honra ao Ekeko, fundindo crenças andinas e práticas urbanas contemporâneas.

Por sua vez, em Santa Cruz se celebra o Festival Internacional de Música Renascentista e Barroca Americana "Missões de Chiquitos", que valoriza o legado musical das antigas missões jesuítas e posiciona a Bolívia como referência do barroco americano.

 

Conheça as festividades e danças

Carnaval de Oruro

 

Local: Cidade de La Paz
Data: Variável, fevereiro ou março

 

A cidade de Oruro foi fundada durante o período colonial como centro de mineração de prata na região dos Urus; hoje é uma das menores cidades do país. No entanto, conserva seu aspecto atraente de design europeu daquela época. A atividade turística mais importante é o "Carnaval de Oruro", declarado em 2001 como "Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade" pela UNESCO devido ao grande valor religioso e cultural que se desdobra durante 2 dias de desfile.

Entre as danças mais importantes apresentadas no Carnaval de Oruro deve-se mencionar "La Diablada", originada no antigo culto andino ao ser que vivia nas profundezas das minas, que posteriormente foi adaptado ao diabo a partir do período colonial.

Festival Internacional de Música Barroca e Renascentista Americana "Missões de Chiquitos"

 

Local: Departamento de Santa Cruz - Região da Chiquitanía
Data: Variável, março ou abril

 

Classificado como o maior evento de música antiga do mundo e um dos mais influentes. Este encontro é realizado desde 1996 de forma bienal; mais de 370 mil pessoas presenciam 804 concertos magistrais, levados adiante pelo talento de 285 grupos e 4.687 músicos provenientes de vários países de todo o mundo.

A Grande Chiquitania está localizada na porção média oriental do Departamento de Santa Cruz (Bolívia), com aproximadamente 220.000 km² constitui 56% do território.

Na Chiquitania são conservadas seis missões jesuítas bolivianas declaradas Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1990. As únicas missões que desde sua fundação continuam mantendo viva a cultura missionária na América do Sul.

Na segunda metade do século XVII os religiosos da Companhia de Jesus estabeleceram nas planícies do que atualmente é a Bolívia as missões de Moxos (1682-1767) e Chiquitos (1691-1767), nas quais ocorreu um dos encontros culturais de maior relevância da América espanhola.

Um dos resultados mais importantes neste processo de sincretismo, produto da prática missionária ou reduccional, é a música. Os missionários de Loyola a usaram como instrumento de evangelização (aproveitando, além disso, a especial habilidade e gosto dos povos originários), produzindo um enorme caudal, em qualidade e quantidade, sem o qual não se pode compreender a história da música do mundo ocidental atualmente.

A restauração das missões que se iniciou na década de 70 sob a supervisão do arquiteto suíço Hans Roth, permitiu recuperar mais de 5.000 peças do arquivo musical de Chiquitos, a coleção de música barroca indígena mais importante da América do Sul.

Atualmente os templos missionários são, além disso, palcos de festivais de música barroca renascentista, sendo o Festival Internacional de Música Barroca Missões de Chiquitos, o mais importante do continente.

Festa do Senhor Jesus do Gran Poder (Entrada Folclórica do Gran Poder)

 

Local: Cidade de La Paz
Data: Variável, maio ou junho

 

A Festa do Senhor Jesus do Gran Poder ou "Festa do Gran Poder" é uma das manifestações culturais mais importantes da cidade de La Paz.

A tradição popular indica que tem sua origem na zona de Ch'ijini de La Paz, onde chegou um lenço com a imagem de um "Jesus com três rostos" (que era na verdade uma imagem da Santíssima Trindade); a tradição reinterpretou a obra a partir da superstição aimara afirmando que à face da direita se pediam bons desejos, à da esquerda maus e à do centro algum desejo para si mesmo.

Por volta de 1930 este lenço foi repintado, deixando ao descoberto o rosto que estava no centro e começou a denominação da imagem como a do Senhor Jesus do Gran Poder, em cuja honra se deu início a uma entrada folclórica que levou o mesmo nome.

No princípio a festa só se desenvolvia em Ch'ijini, mas ela se estendeu até o centro da cidade onde milhares de dançarinos e espectadores tomam as ruas da cidade e celebram a festa cheia de música, de cor, alegria e devoção religiosa.

Dança: La Morenada

Catalogada como uma das danças pesadas de maior tradição, a Morenada tem origem aimara e representa o sofrimento dos escravos negros trazidos para a Mita em Potosí.

Caracterizam-se pelos trajes e pelo compasso lento da coreografia. Na vestimenta, chama a atenção o ostensivo do design, a confecção da capa e da máscara nos homens, as mantas e as saias nas mulheres. A presença das cholas é um componente importante, pois elas desfilam com orgulho e galhardia ao lado da tropa de morenos que avançam ao ritmo da matraca (instrumento musical idiófono de mão), guiados pelo achachi galán.

Dança: Caporales

A dança é inspirada nos feitores negros – denominados "caporais" – que controlavam os escravos de sua própria raça nas fazendas coloniais produtoras de coca.

Os dançarinos vestem trajes coloridos e brilhantes, calças bordadas de várias cores e botas com chocalhos; carregam um chicote e um apito na mão. Ao som de um ritmo ágil baseado na saya, realizam passos acrobáticos, elegantes e coquetos. As mulheres exibem saias curtas e blusas bordadas em um desperdício de sensualidade.

Dança: Waca Tokhoris

Waca Tokhoris é uma dança que representa touros que chegaram à América após a Conquista. Os dançarinos levam na cintura uma reprodução do animal feita de couro seco. As mulheres vestem várias saias sobrepostas (em muitos casos até 25) e uma chuq´haña (um manto de bayeta da terra que cobre a cabeça).

O kuchillo é um personagem bulhento e satírico indispensável na dança das wacas, que, ao ritmo do salto acrobático, acompanha os integrantes deste baile. Caracteriza-se pelo seu disfarce com traços de macaco ou mico feito de bayeta, veste um leviton (saia longa) fazendo uma coordenação de cinza e calça branca ou preta, e levam uma máscara que cobre toda a cabeça, com chifres flexíveis para cima. Outras das figuras nesta dança é o matador, que parodia os toureiros espanhóis. Por outro lado, estão as leiteiras e os Kaisillos (pessoas que levam um estandarte de pena multicolorido).

Dança: Kullawada

Kullawada é uma dança relacionada à atividade têxtil, desenvolvida em todos os grupos étnicos aimaras do altiplano boliviano. Os dançarinos, mulheres e homens, levam como símbolo um tear de madeira nas mãos. A dança é dirigida pelo waphuri ou guia, que porta um tear gigante com o qual dirige os movimentos da tropa de dançarinos; é o único personagem do grupo que leva uma máscara com um nariz enorme e dois rostos laterais. Particularmente composto por jovens solteiros em preparativos matrimoniais, expressa no baile a elegância e o flerte do casal.

Dança: Llamerada

Llamerada é outra manifestação da riqueza folclórica paceña. Relacionada à atividade agropecuária, especialmente, da criação da lhama. O baile rememora também a domesticação dos primeiros camélidos da zona andina (guanaco, alpaca e vicunha). Os dançarinos levam na cabeça uma representação das antigas monteras de quatro pontas usadas por diferentes grupos étnicos desde tempos pré-hispânicos.

Os dançarinos vestem as tradições monteras e ponchillos de llaneros, uma máscara estucada com os lábios franzidos em atitude de assobiar, na mão levam a q´urawa ou funda, calça e polainas com abarca (sandálias). As mulheres exibem elegantes blusas bordadas, carregam um Aguayo e bolsas com moedas de prata; contemplam sua indumentária a saia até o joelho e Abarcas.

A lista de danças da entrada folclórica de La Paz inclui bailes como a Diablada (dança mitológica do supay diabo), Incas, Kantús, Quena quenas, Suri Sicuris, Tobas, Tinkus, Doctorcitos, Auqui Auquis e outras expressões.

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