Altiplano: La Paz, Potosí e Oruro
Informações de Viagem do altiplano boliviano

 

Sobre o Altiplano boliviano

No meio de duas cadeias de montanhas de beleza incomparável; a Cordilheira Real ou Oriental e a Cordilheira Ocidental, situa-se um território de mais de cem mil quilômetros quadrados, cuja altitude média é de cerca de três mil e oitocentos metros acima do nível do mar. Para a pessoa que chega pela primeira vez a este lugar, o impacto visual é imponente; o visitante poderá apreciar uma planície desértica, quase sem fim, enquadrada em uma série de picos nevados.

Esta planície é cortada por algumas ondulações naturais, dando a aparência de que atrás delas o espetáculo será sempre uniforme: uma paisagem cinza, apenas pintada de amarelo pela paja brava ou de verde escuro pela thola, que, no entanto, ganha verdor durante a época das chuvas.

Percorrendo a zona montanhosa e do altiplano, encontram seu habitat os camélidos – lhamas, alpacas e vicunhas – domesticados desde épocas ancestrais e que constituem a base da economia da região. Também encontramos animais como o veado, o puma, o gato montês e grandes roedores como a viscacha e a chinchila. Da mesma forma, dentro da avifauna encontra-se o condor, a águia-real, a parihuana ou flamingo rosa; variedades de palmípedes como a wallata e também aves de pernas longas.

A vegetação da alta montanha é constituída, entre outras, por gramíneas como a paja brava, a thola e a yareta. Também se pode observar espécies florestais como a queñua e a kiswara. Finalmente, dentro das plantas nativas podemos citar a batata, a oca, a quinoa, o tarwi, a cañahua e o amaranto, entre outras. Estas últimas são consideradas alimentos de alto grau nutricional que se encontram dentro da oferta gastronômica da região.

 

Cidades capitais

La Paz

É a sede de governo mais alta do mundo (encontra-se a 3.650 m s.n.m., 300 metros mais do que a cidade de Cusco – Peru) e caracteriza-se por uma personalidade sem igual entre as cidades andinas, devido à conjunção cultural, religiosa e política que a marcou durante toda a sua história. Sua localização, em uma bacia ao pé do nevado Illimani, a montanha mais alta e atraente da Cordilheira Real dos Andes, permite aos seus habitantes desfrutar de paisagens incríveis e diversas envoltas entre montanhas e edifícios.

A cidade de La Paz foi fundada em 1548 por colonizadores espanhóis sob o nome de "Nossa Senhora de La Paz", em alusão ao fim de uma guerra civil desenvolvida entre dois bandos espanhóis. Esta fundação foi realizada na povoação de Laja, a 35 km do que hoje é a cidade de La Paz. Devido ao clima inclemente do Altiplano, três dias depois a cidade foi transferida para um vale junto ao rio Choqueyapu, mais abrigado e povoado.

Hoje em dia La Paz é a cidade mais cosmopolita dos Andes, com quase 1 milhão de habitantes, que em sua aglomeração inclui duas cidades, El Alto e La Paz, cujas populações somadas superam um milhão e meio. A cidade de El Alto é uma cidade recorde por ser a mais jovem do país, a de maior crescimento demográfico, a que abriga a feira informal mais grande do país (La Feria 16 de Julho) e a de maior influência política nos últimos anos.

Potosí

É a capital do departamento de Potosí; a cidade está localizada a uma altitude de 4.000 metros, o que a torna a cidade mais alta do mundo. Descansa aos pés do cerro "Sumaj Orck'o" ou 'Cerro Rico', montanha que foi o jazimento argentífero mais importante no mundo da colônia, deu origem à maior parte da prata usada pela coroa espanhola. De acordo com registros oficiais, foram extraídas 45.000 toneladas de prata pura do Cerro Rico entre 1556 e 1783.

Potosí foi fundada em 1546, gerou muito rapidamente uma enorme riqueza, tornando-se uma das maiores cidades do mundo da época, com uma população de mais de 200.000 habitantes. A tradição diz que a quantidade de prata que os conquistadores espanhóis encontraram teria sido suficiente para construir uma ponte completamente construída com prata, desde Potosí até a Europa.

Durante as batalhas travadas pela independência da Bolívia, grande parte das riquezas foi saqueada ou transferida para a Europa ou outras partes do domínio espanhol. Para então a população não era maior que 10.000 habitantes.

Assim como Sucre, Potosí também se encontra na lista de Patrimônios Culturais da Humanidade da UNESCO. Atrações Turísticas: As minas do Cerro Rico, A Casa da Moeda, Claustro de Santa Teresa.

Oruro

Cidade fundada durante a colônia, em 1606, como centro mineiro de prata na região dos Urus, inicialmente foi chamada "Villa de San Felipe de Austria". Em 1781 Oruro deu lugar ao primeiro grito libertário da América Latina, expulsando os espanhóis e declarando a villa como independente.

Hoje é uma das cidades mais pequenas do país, no entanto conserva seu aspecto atraente de design europeu da época, a atividade mais importante é o Carnaval de Oruro, declarado em 2001 como "Obra Prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade" pelo grande valor religioso e cultural que se desdobra durante 2 dias de corso.

Dentro das danças mais importantes que se apresentam no Carnaval de Oruro deve-se mencionar a Diablada, originada no antigo culto andino a um ser maligno, que posteriormente foi adequado ao diabo a partir da colônia, da visão Católica.

"Uma 'história' de fragmentos"

De Oruro se disseram muitas coisas, algumas têm a ver com a história produtiva pré-hispânica, mencionada através deste relato colonial que dá conta da familiarização dos Urus com a produtividade mineira em 1535.

Naqueles tempos, Aldana, "...com ameaças e elogios conseguiu que os nativos, que eram os urus, lhe revelassem os lugares de onde extraíam prata quase pura que utilizavam em muito pequena escala para seus atributos ao ídolo de sua huaca, assim como o ouro para o ornamento de suas vestimentas cerimoniais. Aldana explorou secretamente a veia do cerro 'Pie de Gallo'".

Já em tempos coloniais, "...o lugar era conhecido como Uru-uru, topônimo que se deveu seguramente à presença dos índios urus nas proximidades, o padre Medrano colocou o assento e minas, sob a invocação de São Miguel Arcanjo, patronato que posteriormente foi reconhecido pela cidade e que pertence até o presente". Outra versão plantea que "com o nome de San Miguel, se conhecia uma veia localizada no cerro de Pie de Gallo, cuja propriedade correspondia a um famoso mineiro da época, como foi dom Diego de Alemán".

A cidade altiplânica dos "urus" é denominada também "Villa Minera", e se argumenta que entre 1557 "...é quando pela primeira vez se começa a falar do descobrimento de minas de prata na região de Paria, nos cerros aos cujos pés se encontra Oruro". Ao mesmo tempo estes autores mencionam que Oruro é uma das cidades coloniais que ficam na Bolívia como capital de departamento e que nasceu ao calor da indústria mineira", remarcam também que "...em seu tempo chegou a ter tal importância, que foi classificada como o segundo núcleo urbano tanto em importância demográfica como econômica em toda a Audiência de Charcas".

O dia 1º de novembro de 1606 realizou-se a fundação da "Villa de San Felipe de Austria", que foi "...um ato emanado da vontade dos oidores de La Plata", apesar do dilema entre a Villa Imperial (Potosí) ou San Felipe de Austria (Oruro).

Durante o curso dos séculos XVII e XVIII, a cidade teve suas altas e baixas, em função da mineração. "A mineração era a principal atividade econômica de Oruro, era o ramo ao qual se dedicava a elite da villa e a que dava mais altos rendimentos à Real Fazenda".

Aquele assento do século XVI, convertido depois em Villa, para o XIX era a cidade de Oruro, foi neste tempo quando se criou o Departamento de Oruro, produto de processos produtivos importantes e movimentos políticos e sociais mencionados de diversas formas por quase a totalidade dos historiadores.

Oruro, espaço de encontros e desencontros é atualmente referência para o mundo da força do imaterial como mostra de espaços não colonizados, onde o simbólico-ritual se "desmarca" do poder colonial e a partir desta dinâmica se constroem formas alternativas, embora fragmentárias, de coesão frente a imposições das elites encaramadas no poder estatal.

Este longo processo, de "desmarca", se continua desenvolvendo na cidade de Oruro, onde "...se dão contradições, aceitações e negações, inclusões e exclusões que constituem, entre o 'próprio' e o 'estranho', o 'antigo' e o 'novo', aquela forma de vida, articulada por múltiplas vozes ...". Trata-se de subalternidades expressadas como "...um tecido intercultural de fragmentos (...) que atravessa a cotidianidade da maioria das pessoas..." e que, de novembro a fevereiro, sobretudo, transforma a cidade e se apodera dela.